Parte I aqui.
- É, Fagner, o dentista que mexeu aqui até pensou que estava fazendo um canal. Abriu o dente, limpou, mas… Não, não fez, viu?
É só comigo ou os dentistas têm o costume de conversar com os pacientes, mesmo sabendo que o máximo que poderão ouvir de resposta, com a boca tão aberta, é algo parecido com…
- Ahã!
- Terá que refazer este canal.
- ÔA!
Ainda bem que eu não conseguia pronunciar nada além disso. Planejo um fim de semana feliz junto com a família, e novamente os filhos de Meneghel dificultam as coisas? Como cereja do bolo, o dentista faz o favor de aplicar um produto que comete o pecado capital de fazer a comida da minha mãe ficar com gosto de consultório odontológico. De volta a São Paulo, à base de antiinflamatório e muito antibiótico, alguns dias se passam até eu encontrar vaga em algum especialista.
Quem já fez canal sabe como é. É incrível que estas torturas continuem acontecendo em todo o mundo e as autoridades insistem em ignorar. São intermináveis semanas de visitas àquela prisão. A cada novo dia, passamos horas com a boca aberta e aquela pontadinha que “não vai doer” da agulha que “anestesia” sua boca – e que fará você falar até o fim do dia como Robert De Niro em “Ninguém É Perfeiro”. Aí, vem os queridos algodões, pacotes e pacotes de algodão, suficientes para tamponar o Seu Barriga, enfiados suavemente em sua boca.
Não acaba aí. Terminada esta fase, o paciente vê seu algoz, fria e calmamente, esquentar uma agulha que perfurará, se tiver sorte, apenas a gengiva. Após preparar sua arma, o dentista se torna uma criança de 5 anos e se vê numa praia com uma pá (agulha) perfurando a areia (gengiva). Geralmente, nesta hora, ele diz a tranquilizante frase: “se doer, é só avisar.” Como assim, pessoal? Há essa possibilidade de doer mais? Sim. A última vez que isto aconteceu comigo, chutei, no reflexo, com as duas pernas a mesinha do dentista de maneira que foi preciso solicitar a secretária que pegasse os aparelhos no chão e, inclusive, trocasse alguns. A “técnica” (pra mim, é pura raça) certamente surgiu nos campos de concentração.
Neste mês, encontrei o meu novo carrasco, e recomecei esta dolorosa e traumatizante fase da minha vida. Neste consultório, como em muitos outros, ainda usa estiletes para segurar o filme que tira a radiografia do seu dente. Detalhe: um lado do estilete para o céu da boca e o outro para a língua – e você não pode mexer por infindáveis segundos. O senhor, então, tira os estiletes, retira o colete à prova de balas e revela o filme.
- Pois é, Fagner… Realmente, são dois canais que precisaremos refazer. Veja aqui no Raio-X que… blá blá blá blá blá blá, entende?
- Perfeitamente.
- Abre a boca, por favor!
Aberto um novo pacote de algodão e inseridos na minha boca, o rapaz precisa atender a uma ligação urgente, então, some por alguns minutos, deixando o torturado paciente, eu, com a boca aberta, sem poder me mexer. Mas a língua, que já havia sido avisada sobre o perigo de se mexer, não consegue mais se segurar, parece uma catapulta prestes a disparar uma pedra. Sabiamente, percebo que preciso desviar o foco. Num rasgo de inteligência, penso na Sofia, a minha filha.
- HAHAHA…oops…
Algodões saltam direto para o meu peito. Antes que pudesse limpar, o dentista chega.
- Desculpa, Dr.
Anestesia Geral é um termo utilizado para designar uma técnica anestésica que promove inconsciência (hipnose) total, abolição da dor (analgesia / anestesia) e relaxamento do paciente, possibilitando a realização de qualquer intervenção cirúrgica conhecida. Pode ser obtida com agentes inalatórios e/ou endovenosos.
Fonte: Anestesiologia.com.br

Trocar todos os dente por dentes de marfin com a técnica da implantodontia ?
srsrsrrsrs
Por mais que eu sinta que você sofre(u), acho que você poderia desenvolver uma parte 3 (confesso que é egoísmo puro). Afinal, não é de dores que são feitas as experiências (aquele velho dizer que errando se aprende acho que interpretado de uma forma diferente)? Além disso, seria reconfortante (pra você) saber que sua dor pode causar tanta alegria para com quem acompanha este blog, não?
“…seria reconfortante (pra você) saber que sua dor pode causar tanta alegria para com quem acompanha este blog, não?”
hahaha…vulgo masoquismo.
Valeu, Moora!
Nusss… dava pra fazer um filme quase… se quiser, te recomendo meu dentista… ele não é tão carrasco… aliás… nunca fiz tratamento de canal…
Tem uma parte 3?
Espero que tenha resolvido o problema e seus dentes estejam perfeitos e indolores!
Espero mesmo que não precise de uma terceira parte. Se sair, é sinal que alguma coisa não saiu bem.rs